Wind Weaver
Wind Weaver
🌬️✨ Nem toda jornada guiada pelo vento nos leva exatamente para onde esperamos.
Olá, amantes dos livros! Eu sou a Aly e hoje vim conversar com você sobre Wind Weaver, uma fantasia que chamou minha atenção pela proposta e pela atmosfera promissora, mas que acabou não funcionando tão bem para mim durante a leitura. A história traz elementos interessantes, um mundo com potencial e ideias que poderiam ter sido exploradas de forma mais envolvente — ainda assim, a experiência ficou aquém do que eu esperava.
Neste post, vou compartilhar minhas impressões de forma sincera e respeitosa, falando sobre o que funcionou, o que me afastou da narrativa e para que tipo de leitor esse livro pode fazer mais sentido. Se você gosta de resenhas honestas, vem comigo — prometo uma conversa aberta, sem exageros e sem julgamentos 💛📖
Ficha técnica:
- Título: Wind Weaver: A Guardiã do Vento
- Autora: Julie Johnson
- Gênero: Romantasia
- Editora: Galera Record
- Número de páginas: 476
- Ano de publicação: 2025
- Classificação indicativa: +16
Sinopse:
Todos os habitantes de Anwyvn têm pavor de magia, e um ser mágico como a halfling Rhya Fleetwood é condenado à morte assim que é descoberto. Prestes a ser executada, Rhya é surpreendida por uma pessoa improvável: o misterioso e mercenário Comandante Scythe, um homem muito mais perigoso do que qualquer assassino de halflings. Nas mãos desse novo inimigo, Rhya precisa lutar pela própria vida nos terrenos áridos das Terras do Norte. No entanto, quanto mais se distancia de casa, mais ela percebe que nada é o que parece ― nem seu terrível captor, nem a praga que destrói o reino, e muito menos ela mesma. Porém, Rhya descobre que não é uma halfling comum. A estranha marca de nascença que carrega no peito e o poder de invocar ventos só pode significar uma coisa: ela é uma Remanescente, uma das quatro almas espalhadas por Anwyvn, destinada a restaurar o equilíbrio da magia… ou morrer tentando. Além de estar preocupada em manter-se viva e com a missão de dominar seu poder, Rhya sente nascer uma paixão avassaladora pelo Comandante, um homem que, quando enfim sua verdadeira identidade é revelada, ela não sabe se pode confiar e que age apenas em função dos próprios interesses. Em meio ao sentimento que queima de maneira tão intensa quanto a ventania que ruge dentro de si, ela precisará fazer uma escolha: apagar as chamas ou deixar que a consumam.
Resenha:
Wind Weaver, de Julie Johnson, chegou com grande expectativa no gênero romantasia em abril de 2025. A premissa soa promissora: em um mundo chamado Anwyvn, devastado por guerras e onde a magia é reprimida e temida, acompanhamos Rhya Fleetwood, uma curandeira mestiça (halfling) com poderes únicos relacionados ao vento e à cura. Capturada e condenada à morte por sua herança fae, ela é resgatada por um enigmático comandante, Penn, dando início a uma jornada de fuga, profecia antiga, restauração da magia e um romance slow burn cheio de tensão. O livro explora temas como identidade, poder reprimido e resistência contra opressão, embalados em uma narrativa que tenta misturar alta fantasia com elementos românticos intensos.
A ideia central é, sem dúvida, interessante. O conceito de Rhya como uma "tecedora de vento" — alguém capaz de manipular elementos de forma intuitiva, mas instável — tem um potencial enorme para explorar não só ação mágica, mas também conflitos internos profundos. A profecia que a coloca como peça-chave para reacender a magia no reino, aliada ao cenário de um mundo pós-guerra com divisões raciais e políticas, poderia render uma trama rica e multifacetada. Há ecos de obras como Quarta Asa e Corte de Espinhos e Rosss, mas com um tom que promete ser mais focado em sobrevivência e em um romance menos idealizado. No papel, isso tudo soa como uma receita para um hit no gênero.
Infelizmente, a execução me decepcionou bastante. O que poderia ser uma história cativante acaba se perdendo em uma narrativa que não sustenta seu próprio peso.
Começando pelos personagens principais: Rhya e Penn simplesmente não funcionaram para mim. Rhya é apresentada como a clássica protagonista sarcástica, independente e com um passado traumático — um arquétipo que já vimos inúmeras vezes. O problema é que o sarcasmo dela soa forçado na maior parte do tempo, muitas vezes inserido sem contexto ou timing adequado, o que transforma momentos que deveriam ser tensos ou emocionais em algo irritante e deslocado. Suas reações parecem mais uma tentativa de imitar o "badass female lead", aquela mulher durona e segura de si, do que uma personalidade orgânica e bem desenvolvida. Já Penn, o "moreno misterioso" comandante, cai no estereótipo ao pé da letra: frio, dominante, com segredos obscuros e uma atração inexplicável pela protagonista. As interações entre os dois, que deveriam construir um slow burn envolvente, me causaram mais irritação do que qualquer tipo de investimento emocional. Há química zero; as trocas de farpas e olhares intensos parecem artificiais, como se a autora estivesse seguindo um checklist de tropes sem se preocupar em dar substância a eles.
A escrita de Julie Johnson, que em outros momentos é descrita como vívida por alguns leitores, aqui me pareceu rasa e entediante em vários trechos. O ritmo arrasta-se por boa parte do livro, com descrições repetitivas de paisagens áridas, fugas intermináveis e diálogos que não avançam a trama nem aprofundam os personagens. A construção do mundo é particularmente fraca: Anwyvn é apresentado de forma superficial, com conceitos como a perseguição aos fae, a ausência de magia e as facções políticas jogados ao leitor sem camadas suficientes. Não sentimos o peso da opressão, nem a complexidade cultural ou histórica que justificaria o conflito central. Tudo parece genérico, apoiado em uma estrutura de romantasia já saturada, sem inovação real que a diferencie.
Um dos pontos mais problemáticos é o tratamento do romance. As cenas de pegação surgem do nada, sem qualquer construção emocional ou narrativa que as justifique. Em um gênero que vive de tensão sexual e slow burn, é frustrante ver momentos íntimos que parecem inseridos apenas para cumprir cota, sem que haja desenvolvimento prévio da relação. O que poderia ser sensual ou impactante vira algo desconexo e até desconfortável.
O que realmente salva o livro — e impede que eu o considere um completo desperdício — são os últimos 15%. É aí que a trama finalmente ganha fôlego: reviravoltas mais ousadas, revelações que começam a conectar os fios soltos e uma escalada de ação que faz o leitor virar as páginas com mais urgência. Os poderes de Rhya, que até então eram subutilizados e mal explicados, começam a se manifestar de forma mais interessante, sugerindo o que o livro poderia ter sido com um desenvolvimento mais cuidadoso desde o início. Infelizmente, esse impulso tardio não compensa os problemas acumulados ao longo de quase 500 páginas.
No fim das contas, Wind Weaver deixa a sensação de uma boa ideia desperdiçada. Julie Johnson tem talento para criar premissas atraentes e um universo com potencial, mas aqui a execução fica aquém do esperado. Os personagens rasos, a construção de mundo fraca, o sarcasmo forçado e a falta de profundidade no romance fazem com que o livro se perca no mar de romantasia genérica. Embora o final tenha me deixado curiosa sobre o que viria a seguir, não sei se foi suficiente para me convencer a continuar a série — especialmente considerando que o primeiro volume deveria conquistar o leitor de forma mais consistente.
Recomendo com ressalvas: se você é fã hardcore do gênero e tolera tropes clássicos sem questionar muito, talvez encontre entretenimento aqui. Mas para quem busca profundidade emocional, personagens memoráveis, o livro pode decepcionar. Uma pena, porque o potencial estava todo lá.
Citação favorita:
“Me agarrei a cada centelha de calor que consegui conjurar. O mundo real é mais frio. Mais cruel. É raro encontrar alguém disposto a oferecer conforto em vez de buscar a própria satisfação; que doa de coração aberto, em vez de apenas tomar.”
Avaliação:
⭐⭐(2 estrelas)

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